 VIVENDO EM MATÃO Em ti depositamos as nossas esperanças... És o solo acolhedor em que pisamos distraídos, apressados ou esquecidos, mas tuas terras produzem alimentos que saciam a fome e a sede.
De ti extraímos o nosso sustento. Trabalho, moradia, educação, saúde, sonhos familiares. Caminhos que se cruzam, batalhas cotidianas, agruras sócio-econômicas, divagações. Vencedores & vencidos, parceiros de outras empreitadas, novos visionários: a certeza entre a dúvida transformadora. Orgulho de saber-se matonense! Aqui criamos os nossos filhos e netos, traçamos metas e distorcidas retas, dormimos e acordamos, encontramos e perdemos, compramos e pagamos, discutimos no trânsito, admiramos o sol nascer e se pôr, rimos e choramos, cantamos: nos emocionamos. Chamaram-te Terra da Saudade mas te batizamos Terra dos Homens Dinâmicos, cidade de todos nós. Recebe esta homenagem, perdoa os nossos deslizes, suprime as nossas carências... Que as gerações vindouras saibam julgar os nossos atos e valorizar o que de melhor fizemos.
Fotos:Sêrgio Sàbará(www.arteciencia.com)
  Benedicto Rosa Lima e Costa, único prefeito negro de Matão  O poluído Córrego Cascavel
Ponto de Vista
MATÃO NÃO TEM MEMÓRIA HISTÓRICA - Odúlio Ortega Digo e afirmo! Dizer que temos conservado, antiga casa da Prefeitura ou algumas casas do Centro, ou então, homenageado Cairbar Schutel, nosso primeiro prefeito (intendente), com um busto de bronze pelo então prefeito Jayme Gimenez, é muito pouco, mas é muito pouco mesmo, confrontando com o quilate de Matão. Com urgência salvemos imediatamente os poucos patrimônios históricos que ainda nos restam, como por exemplo a Escola Estatual “Dr. Leopoldino Martins Meira de Andrade” (vereador na primeira atuação do Sr. Cairbar), tombada pela municipalidade, que está sendo sepultada através dos tempos. Esta escola localiza-se na antiga Fazenda Boa Vista, pertencente aos ingleses, que aqui estiveram. Outro exemplo, a sede da fazenda do Sr. Ottoni Corrêa e a Estação de Trem “Pimenta Bueno”, localizada dentro da antiga Fazenda de Café “Pau d’Alho”, ficou no esquecimento. A própria Estação de Matão, tombada também, transformou-se em depósito de ferro velho. Matão já está chamando a atenção pelo seu dinamismo comercial e industrial. Porque não nos prepararmos para o turismo? Deixe-me sonhar um pouco: um passeio de trem até a fazenda do Sr. Ottoni Corrêa, a Sede transformada num Museu ou outra finalidade cultural; a lagoa, que fica detrás da Estação, se prestaria à pescaria, como existe em muitos lugares; enfim, um pulmão verde de cinco alqueires. Há também o córrego Santa Clara, que corre ao lado do Colégio “Dr. Leopoldino Meira de Andrade”, em que se nota a poluição vinda de alguma casa localizada nas imediações. É uma pena... Tenho testemunhado a presença de jaçanãs, irerês, tico-ticos reis, viuvinhas brancas... Povo de Matão! Não deixem que as nossas aves e animais silvestres se retirem da cidade. É necessário cultivar, até encontrar as raízes dos nossos valores culturais (folclore, literatura, história). Vejam o artigo que escreveu n’A Comarca em 17/07/2009 o líder do movimento negro, José Amarante: “Grande parte de nossa cultura, folclore e de nossa própria história — que contava sobre a formação das populações urbanas regionais — desapareceu com o passar dos anos, principalmente em razão da desmotivação e omissão política para preservação das nossas construções antigas, antes consideradas parte importante do patrimônio histórico brasileiro, que mesmo sem a devida proteção e apoio por parte do Estado em todos os âmbitos, ainda assim, insistentemente, abrigam enorme quantidade de registros de nossa identidade.” Vou contar uma breve história sobre a fazenda do Sr. Ottoni Corrêa. Em 1934, a fazenda tinha a primeira máquina de beneficiar café de Matão. Ficava num galpão, entre o moinho de converter milho em fubá ou quirera, e a Sede da fazenda. Ottoni tinha a fama de ter um café de ótima qualidade, de acordo com a opinião do finado Sr. Raul Caparelli. A máquina de beneficiar café, misteriosamente, amanheceu pegando fogo. Foi chamado o Corpo de Bombeiros, sediado em São Paulo, na Praça Clóvis Bevilaqua; levou mais ou menos quatro horas e trinta minutos para chegar. Nada restou, inclusive sacas de café armazenadas, viraram cinzas. Uma cidade sem meória histórica é uma cidade sem alma!
 Casarão abandonado da família Ottoni Correa  Antiga escola Dr Leopoldino Meira de Andrade  Estátua de Cairbar na praça central
MATÃO, DESCOBRI QUE TE PERTENÇO - JOSÉ FERNANDO BAMBOZZI Aos 47 anos acabo de constatar que tenho um amor incondicional pela minha cidade: aquele mesmo amor que o cão tem pelo seu dono; o amor que não exige, só ama; o amor que tudo suporta; o amor que ama quando muitos não entendem porquê. Assim sou com a cidade que recebeu meus ancestrais: me sinto seu filho, seu neto, seu bisneto. Amo incondicionalmente esta cidade porque ela ainda bruta e poeirenta recebeu meu bisavô. Amo incondicionalmente esta cidade porque ela permitiu que meu avô aqui trabalhasse; e foi tão gentil em permitir que aqui ele deixasse seus filhos e as marcas de seu trabalho. Amo incondicional-mente esta cidade porque nela meu pai nasceu e nela nasceram seus filhos. Amo incondicionalmente esta cidade: nada me demove deste sentimento que cultivo desde 14 de dezembro de 1961: um amor maduro, resistente ao tempo e aos homens. Terei eternamente em mim esse cheiro de laranja; de cedrinho e palha de arroz em Corpus Christi, terei eternamente essa amarela torre da Igreja me vigiando em qualquer lugar do mundo; terei eternamente em meus olhos a luz branca das tuas manhãs. Estarei sempre aqui, mesmo estando no mais belo (e efêmero) lugar do mundo; descobri que te pertenço. Sendo teu, faz de mim o que quiser, me leve para onde quiser, mas no fim, te peço: me traga de volta.
 Isabella fazendo o bolo de aniversário  Escola de futebol do Fantik
AS ANDORINHAS Elas juntam-se no inverno para fazer longas viagens pelo planeta em busca do calor, e depois retornam. Em Matão elas ornamentam antenas de televisão, fios de eletricidade, árvores, placas, postes e telhados do centro da cidade. Animam crianças e aposentados, e silenciam por ocasião de sua partida para outras paragens e outros povos, um dia. Também são matonenses, por que não? Elegeram esta terra como santuário e abrigo.
 Andorinha na praça
MATÃO E SUA HISTÓRIA Para traçarmos umas simples linhas sobre a história de Matão, é necessário primeiro um correr de olhos pelo panorama mundial nos finais do século XIX. Época de grandes transformações e da consolidação de vários ideais, aperfeiçoamento de descobertas científicas e mecânicas, que aos poucos começavam a tornar o mundo menor. A 13 de maio de 1888, a princesa Isabel, ao sancionar a lei que abolia a escravatura, perguntava ao duque de Cotegipe. a respeito de seu ato: “E então, ganhei ou perdi?”. E ouviu: “Vossa Alteza ganhou a partida, mas perdeu o trono”. Ao cair a monarquia, em 1889, disse Rojas Paul, então presidente da Venezuela: “Se há acabado la única República que existia em América, el Império del Brasil”. Machado de Assis era o nosso cronista, e figuras como Rui Barbosa, o Águia de Haia, transitavam nos meios políticos, com maestria e força interior. Braços eram precisos para substituir os escravos. Foi quando por volta de 1890, os primeiros fazendeiros, vindos de Itu, Tietê, Piracicaba, Porto Feliz (de onde partiam as Monções) e Tatuí, compraram terras nesta região, de clima ameno, para cultivar café, na época conhecido como ouro negro. Eram eles: Theóphilo e Mathias Dias de Toledo, os irmãos Jordão (Ismael, Francisco, Sérgio, Theófilo e Antonio da Silveira Leite), Antonio da Silva Coelho, Amador Pires Correa, José Innocêncio, José Brochado Correa, Joaquim Liberato da Costa, Joaquim Gabriel de Carvalho e José Hippólyto Fernandes, entre outros. Posteriormente, em 13/02/1892, em reunião em Araraquara, esse mesmo grupo decidiu comprar uma área de dez alqueires, para ser fundado um arraial, denominado São Bom Jesus das Palmeiras. No dia 25/03/1895, era celebrada a primeira missa, e os trilhos da Estrada de Ferro Araraquarense chegaram dois anos mais tarde. A 27 de agosto de 1898, a lei nº 567 cria o município de Matão, pertencente à comarca de Araraquara. A vida naqueles primeiros dias era difícil, repleta de desafios. O café reinava soberano, e por ele vinham os primeiros imigrantes, de origem italiana, para o seu cultivo. De um cruzamento de raças formou-se nossa identidade cultural. Estes foram os seis primeiros vereadores, eleitos em 27 de fevereiro de 1899: Leopoldino M.M. de Andrade, Theóphilo Dias de Toledo, Cairbar de Souza Schutel, Ottoni Corrêa, Major José Pio Corrêa da Silva e José Hippólyto Fernandes. Na virada do século, surgia a Casa Rodrigues. O Grupo Escolar de Matão é inaugurado em 1911. Em 1912 a valsa “Saudades de Matão” é composta, por Pedro Perches de Aguiar, e logo se transforma em sucesso nacional. Toda cidade precisa de informação, e em 1925 era tirada a primeira edição do jornal “A Comarca”, e em 1927 era inaugurado o primeiro estabelecimento bancário, a Casa Bancária Irmãos Malzoni. Em 1928 foi lançada a pedra fundamental do prédio do Hospital de Caridade de Matão, cujas obras foram orçadas em 250 contos de réis. No ano de 1934 era realizada a primeira procissão de Corpus Christi. Em 1936, Matão contava com 2.438 eleitores, e em 1940 era inaugurada a agência do Banco do Brasil. Por volta de 1950 a cana-de-açúcar aos poucos substitui o plantio do café, pois novos países exportadores surgiram, baixando o seu preço mundial com a queda da procura. No final dos anos 1960, com a instalação da Citrosuco Paulista veio o enorme desenvolvimento da laranja, que de certa forma permanece. Matão cresceu, desenvolvendo-se ganhou fama como cidade das indústrias e do suco. Atravessando o milênio, o país passa várias crises, e hoje os pés de laranja são arrancados e queimados pois estão doentes. É hora de ficarmos atentos. A força de nossos homens continua a escrever esta história sem final mas com vários capítulos, de uma cidade que engloba várias vidas, que é depositária de esperanças e árduas jornadas de trabalho, e se prepara para o futuro com a mesma firmeza que tem nos valores do passado.
 Tradicional Exposição de Orquídeas MATÃO 24 HORAS
O cotidiano da cidade é feito da soma dos diversos tempos de cada cidadão. A cidade não para. Cada empresa, família ou instituição está sincronizada com as suas metas, num relógio que às vezes segue o horário internacional. O tempo é escasso. Na linha de produção industrial, atrás de um balcão ou em casa, há sempre alguém trabalhando em Matão. Há sempre alguém se esforçando, e uma luz permanece acesa durante toda a madrugada. Na extensão destas luzes, o brilho maior de nossos dinâmicos habitantes. No ritmo das grandes metrópoles, mas sem perder a ternura caipira, estamos acordados! Prontos para enxergar, enfrentar e superar desafios que a vida atual impõe um após outro. Matão 24 Horas é a cidade que se prepara e está atenta aos primeiros passos de seus filhos, aprendendo com seus erros e acertos, registrando os acontecimentos.  Muito trabalho e acidentes em 24 horas de trabalho AS VOZES DA CIDADEDia 24 de junho, na Casa da Cultura, foi lançado o livro “Vozes da Cidade — Cultura Matonense Contemporânea”, uma produção do jornal O Boêmio e Arte & Ciência Publicidade. Este livro, com 90 páginas, editado em forma cooperada, reúne escritores e fotógrafos matonenses, que através de suas lembranças, visão crítica, posicionamento frente à vida, faixa etária e pelo clique de suas lentes apresentam um diversificado painel que tenta explicar e mostrar, o que é viver em Matão, terra dos homens dinâmicos, em pleno 2009. Este do*****ento histórico é um resgate educacional-filosófico-espiritual para as novas gerações carentes de informação, que podem conhecer um pouco mais a sua cidade, ao mesmo tempo que incluem todos os leitores no cotidiano (e também no imaginário) municipal. Passado, presente e futuro se encontram, e pelo contraste e variedade de informações propõe um rumo seguro para os jovens estudantes seguirem: descobrir sua própria história, enquanto formam sua identidade — a nossa identidade de cidadãos que vivem a sua cidade. Agradecemos a presença de todos (principalmente os membros da Adevima), treinamos diálogos! A equipe da Casa da Cultura está de parabéns!
 José Amarante é uma das vozes da cidade
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