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“Maria Madalena – O perdão que gera o amor”
Enviado por Tuesday, July 20 @ 21:42:04 BRT
Tema:
Comumente chamada e confundida como uma prostituta arrependida, Maria Madalena cuja festa celebramos no próximo dia 22 de julho, nos permite, mas uma vez volver vossos olhos a Deus que na presença viva de Jesus, reinventa e resignifica o sentido do amor, da união do gênero humano cindida metaforicamente no paraíso adâmico. Nele Adão e Eva – imagem de Deus tornaram-se opostos e na divisão instauraram o pecado e culpa, que somente seria redimida e aliviada pela existência de Jesus.

Quem não olharia com desprezo a atitude de uma mulher que se dirigindo ao mestre chorando, banha seus pés e o enxuga com seus cabelos? Esta cena carregada de um forte apelo erótico torna-se pela ação divina um exemplo e a síntese de uma lição de amor infinito que é Deus. De sua abundante graça que habita o corpo e alma daqueles que o conhecem.

As gravuras mais significativas e as imagens mais marcantes nos apresentam Maria Madalena, circundada por uma aura humano-feminina, bela e erótica que se transforma milagrosamente quando de seu encontro com Jesus.

Várias analogias de simbolismos estão presentes nessa cena, que ainda hoje nos estimulam a refletir, sobre o que seja amor e suas variáveis, Sofia, Ágape e Eros.

Assim o corpo de Maria Madalena deixa de ser o centro de sua existência quando esta eleva seus olhos a Jesus e dirigindo seu olha para O Alto, deixa Para Baixo, o julgo que a oprimia.

Se lembrarmos do Gênesis, quando Adão e Eva ao sentirem-se Nus, procuraram folhas de parreira para cobrir e ocultar suas faltas e seu desligamento com Deus, veremos, que no evangelho de Lucas Maria Madalena, procura e encontra no seu próprio corpo, até o momento, objeto de sua prisão e instrumento para ocultar suas faltas, um novo caminho para a sua redenção.

Ao cobri-se com seus cabelos, Maria Madalena, descobre-se novamente unida à Aquele, que a libertou, conforme retrata a obra de Gregor Erhart, exposta no museu de Louvre na França.

Jacop de Varazze, em sua Legenda Aurea – Vida de Santos, assim se refere ao nome Maria que: “...Pode ser interpretado como ‘mar amargo’, ou ‘iluminadora’ ou ‘iluminada’. Por estes três significados, podemos entender os três caminho excelentemente ela escolheu, o da penitencia, o da contemplação anterior e o da glória celeste” VARAZE, 2003, p. 543.

Assim a leitura do Cânticos dos Cânticos, sintetiza esta mensagem ao afirmar: “Vou levantar-me, vou rondar pela cidade, pelas ruas, pelas praças procurando o amado de minha alma... Procurei-o e não o encontrei!, encontraram-me os guardas que rondavam a cidade: ‘Vistes o amado de minha alma?’ Passando por eles contudo, encontrei o amado de minha alma.” Ct 3, 1-4ª.

Cristo fez de Maria Madalena a nova criatura que renascida não mais vive a morte de um corpo belo e humano, mas que perece e a ressuscita, prenunciando sua ressurreição plena, quando se liberta e renasce para o verdadeiro amor que é Jesus.

Estamos conseguindo fazer de nossas lagrimas aos pés de Cristo um momento de encontro com o Senhor, ou apenas momento para múrmuros e lamentações?

Estamos conseguindo superar nossa corporalidade e nos resignificando, unindo-nos ao corpo perfeito do Senhor? Estas duas inquietantes questões nos remetem a Jesus na cena emblemática do renascimento de Maria Madalena, onde o perdão gera o amor de que tanto falamos, mas poucos sentimos ou vivenciamos.

Lucas assim nos narra a lição de Jesus: “Por essa razão, eu declaro a vocês: Os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor.” (Lc, 7, 47).

Com este gesto também nos indignos e incrédulos fomos resgatados por aquele acender o pavio que ainda fumega.

O que a lição de Maria Madalena ainda pode nos dizer? Bombardeados pelo noticiário da semana onde as intrigas de poder, luxo, riqueza e sexo confundem os seres humanos e geram a morte. Quando pedaço de corpo humano é atirado aos cães, consequentemente este fato nos obriga a pensar, se a exemplo de Maria Madalena não é chegada a hora de ao menos enquanto humanidade, se esta ainda persiste, nos prostrarmos aos pés de Jesus e próximos a terra lembrarmos como somos pó e insignificância, tentar ainda, encontrar a face do verdadeiro amor que não mas estamos enxergando ou vivendo.

* Paulo César Cedran é Mestre em Sociologia, Doutor em Educação Escolar pela Unesp de Araraquara, Supervisor de Ensino da Diretoria de Ensino – Região de Taquaritinga, Docente do Centro Universitário Moura Lacerda de Jaboticabal e Uniesp - Taquaritinga.
 














 
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